
Governador eleito destaca investimentos na BR-156, preparação de Oiapoque, atração de empresas, qualificação de jovens e combate ao crime organizado
O governador eleito do Amapá, Dr. Furlan (PSD), quer transformar o potencial petrolífero da Margem Equatorial em desenvolvimento econômico, geração de empregos e novas oportunidades para a população. Em entrevista ao programa Acorda Metrópoles, nesta quarta-feira (4), ele apresentou os principais desafios de infraestrutura que precisam ser superados para garantir o protagonismo do estado na região que vem sendo chamada de “nova Dubai” da América do Sul.
Furlan destacou que o avanço da indústria do petróleo pode colocar o Amapá em uma posição estratégica no cenário energético brasileiro e internacional, mas ressaltou que será necessário investir em estradas, planejamento urbano, qualificação profissional e atração de empresas.
“Fala-se numa nova Dubai naquele trecho norte da América do Sul: Guiana, Suriname, Venezuela, Guiana Francesa e o Brasil via Amapá. E o Amapá não vai abrir mão do protagonismo de ser o estado responsável por ter as bases, por ter a estrutura para que esse desenvolvimento cause a transformação social que a gente tanto espera”, afirmou.
BR-156 será prioridade para o desenvolvimento
Durante a entrevista, Furlan destacou a necessidade de concluir a pavimentação da BR-156, principalmente no trecho norte, que ainda possui aproximadamente 110 quilômetros de estrada sem asfalto.

Segundo ele, a rodovia deixa de representar apenas uma necessidade histórica da população amapaense e ganha importância nacional diante das perspectivas de exploração de petróleo na região.
“Se antigamente só os amapaenses passavam por lá, agora o Brasil vai passar e também o mundo, porque o petróleo vai estar lá”, declarou.
O governador eleito defendeu uma atuação conjunta com o governo federal para superar os gargalos logísticos que dificultam o desenvolvimento econômico do estado.
Para Furlan, garantir uma infraestrutura adequada será fundamental para atrair investidores e permitir que as bases operacionais das empresas petrolíferas sejam instaladas no próprio Amapá, movimentando a economia e ampliando a arrecadação estadual.
Oiapoque precisa se preparar para um novo momento
Outro ponto central da entrevista foi o planejamento urbano de Oiapoque, município que deve assumir papel estratégico nas atividades relacionadas à Margem Equatorial.
Furlan revelou que conversou com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre a necessidade de preparar a cidade para o crescimento econômico e populacional.

Segundo ele, Oiapoque já enfrenta uma ocupação urbana desordenada, o que exige medidas antecipadas para garantir infraestrutura, saneamento básico e condições adequadas de moradia.
“O Estado tem que ordenar a ocupação urbana, criando novos bairros, fazendo o tratamento necessário do esgoto, fazendo com que a cidade já fique preparada para esse novo momento”, explicou.
O governador eleito também defendeu a elaboração de um novo Plano Diretor para Oiapoque, considerando as transformações que poderão ocorrer com o desenvolvimento da cadeia produtiva do petróleo.
Além de Oiapoque, Furlan destacou que municípios como Calçoene e outras regiões do Amapá também deverão ser contemplados pelo planejamento de desenvolvimento.
Qualificação dos jovens para aproveitar as oportunidades
Furlan reforçou que uma das prioridades de seu governo será preparar a população amapaense para ocupar os postos de trabalho que deverão surgir com a instalação de empresas ligadas à indústria de óleo, gás e energia.
A proposta é desenvolver um grande programa de capacitação profissional, orientado por um mapeamento das demandas do mercado de trabalho.
“Algumas oportunidades vão surgir daqui a um ano. Outras vão surgir daqui a cinco anos. Eu tenho que preparar o jovem primeiro para essa que está mais próxima”, destacou.
O governador eleito afirmou que a intenção é garantir que os melhores empregos e os salários gerados pelo setor permaneçam no Amapá, contribuindo diretamente para o fortalecimento da economia local.
Ele também citou a cooperação estabelecida com o município de Macaé, no Rio de Janeiro, referência nacional na indústria petrolífera, como parte da preparação para esse novo cenário.
Atração de empresas e fortalecimento da economia local
Durante a entrevista, Furlan lembrou que, ainda como prefeito de Macapá, tomou medidas para preparar a capital para a chegada dos investimentos petrolíferos.
Entre elas está a criação da Lei PetroMacapá, que estabelece incentivos tributários para empresas interessadas em se instalar no município, mediante contrapartidas como a contratação de trabalhadores locais e a aquisição de produtos e serviços no mercado amapaense.
Para o governador eleito, o desenvolvimento do setor não pode ficar limitado ao recebimento de royalties.
A estratégia é garantir a instalação de empresas, bases operacionais e prestadores de serviços no território estadual, ampliando as oportunidades econômicas e a arrecadação.
“Nós queremos que esse desenvolvimento se transforme numa transformação social, para que os nossos jovens tenham acesso a essas vagas de emprego, às melhores oportunidades”, afirmou.
Segurança pública terá três frentes de atuação
A segurança pública também esteve entre os temas centrais da entrevista. Furlan afirmou que o enfrentamento à criminalidade será uma das prioridades de seu governo, especialmente diante dos índices de violência registrados no Amapá.
O governador eleito explicou que pretende estruturar a política estadual de segurança em três eixos: prevenção, resposta direta às ocorrências e combate às estruturas do crime organizado.
Na prevenção, a proposta é fortalecer projetos sociais para evitar que jovens sejam recrutados por organizações criminosas. Na atuação policial, o objetivo é melhorar a capacidade de resposta das forças de segurança. Já no enfrentamento ao crime organizado, Furlan defendeu o fortalecimento da inteligência para atingir principalmente os responsáveis pelo financiamento das atividades criminosas.
“Fazer com que o crime organizado seja sufocado, principalmente quem faz aquele suporte financeiro, fazer com que a inteligência do governo do estado, da segurança pública, norteie as ações”, destacou.
Furlan também defendeu a integração entre as forças estaduais e o governo federal, citando a PEC da Segurança Pública como uma iniciativa importante para ampliar a cooperação no enfrentamento à criminalidade.
O governador eleito lembrou que, durante sua gestão à frente da Prefeitura de Macapá, promoveu o armamento da Guarda Municipal, ampliando sua participação nas ações de segurança.
Como parte da preparação para o novo governo, Furlan já anunciou o delegado Fábio Araújo, atual titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio de Santana, como futuro delegado-geral da Polícia Civil do Amapá.
Diálogo com o governo federal
Furlan também destacou que pretende manter uma relação de cooperação com o governo federal para viabilizar os investimentos necessários ao desenvolvimento da Margem Equatorial e fortalecer as ações de segurança pública.
O governador eleito ressaltou que a exploração de petróleo no litoral amapaense poderá ampliar a importância do estado para a segurança energética do Brasil nos próximos anos.
“Eu sempre disse: o meu país é o Amapá”, declarou, ao defender que o interesse da população amapaense deve orientar as relações institucionais.
Para Furlan, a combinação de infraestrutura, investimentos privados, qualificação profissional, segurança e planejamento será determinante para que o novo ciclo econômico produza resultados concretos.
“Vamos trabalhar muito”, reforçou o governador eleito, ao reafirmar o compromisso de preparar o Amapá para aproveitar as oportunidades que deverão surgir com a exploração de petróleo.