
Derrubada dos mastros no “Domingo do Senhor” marcou o encerramento oficial das celebrações que movimentaram a capital e os distritos durante mais de dois meses.
O tradicional ritual da derrubada dos mastros marcou, neste domingo (7), o encerramento oficial do Ciclo do Marabaixo 2026 em Macapá. Realizada nos barracões culturais da capital e dos distritos, a cerimônia simbolizou o fim de mais de dois meses de celebrações que reforçaram a fé, a devoção e a preservação das tradições afro-amapaenses.
Com apoio da Prefeitura de Macapá, a programação teve início no Sábado de Aleluia, em abril, e reuniu milhares de pessoas em diversas atividades culturais, religiosas e esportivas, consolidando o Marabaixo como uma das mais importantes manifestações culturais do estado.
TRADIÇÃO, FÉ E IDENTIDADE CULTURAL

Considerado um dos momentos mais significativos do calendário marabaixeiro, o ritual da derrubada dos mastros reuniu comunidades inteiras em celebrações marcadas pela espiritualidade e pelo fortalecimento das raízes culturais. Ao todo, sete barracões culturais participaram do ciclo, entre eles espaços localizados na área urbana de Macapá e nos distritos.
Após a retirada dos mastros, as tradicionais rodas de marabaixo tomaram conta dos barracões. O som das caixas, os ladrões cantados pelos grupos e o colorido das saias deram o tom da festa, reunindo diferentes gerações em uma grande celebração da cultura popular amapaense.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o Marabaixo segue como um dos maiores símbolos da resistência e da identidade do povo amapaense.
APOIO DA PREFEITURA FORTALECE A PROGRAMAÇÃO

A presidente do Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Improir), Elísia Congó, destacou a importância do apoio institucional para a realização das festividades.
Segundo ela, a participação da gestão municipal foi fundamental para garantir a realização das atividades e fortalecer a tradição marabaixeira.
“O ciclo do Marabaixo é um momento de muita fé, tradição e devoção para todos nós que somos marabaixeiros. O prefeito DaLua, compreendendo o valor dos festejos para a nossa tradição, nos ajudou para que a festividade acontecesse. Toda a comunidade está feliz, em festa e muito agradecida por todo o apoio da gestão municipal”, afirmou.
AÇÕES CULTURAIS E EDUCATIVAS

Durante toda a programação, escolas da capital receberam visitas de grupos culturais, proporcionando aos estudantes a oportunidade de conhecer a história, os símbolos e os significados do Marabaixo.
Entre as novidades deste ano esteve a realização da II Corrida do Ciclo do Marabaixo, promovida no início de junho. O evento destacou o Marabaixo como símbolo de resistência, identidade e pertencimento do povo amapaense, ampliando a participação popular nas celebrações.
Os barracões também receberam apresentações gratuitas de música, dança e teatro, fortalecendo o intercâmbio cultural e aproximando moradores e visitantes das tradições preservadas pelas comunidades marabaixeiras.
MEMÓRIA QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

No Barracão Raimundo Ladislau, localizado no bairro Laguinho, a programação de encerramento também foi marcada por muita música, dança e religiosidade. O presidente da Associação Cultural Raimundo Ladislau, Joaquim Ramos da Silva, ressaltou o significado histórico de cada etapa do ciclo.
“Esse ciclo realizado anualmente tem muitas funções que a gente desenvolve. Temos o Domingo de Páscoa, logo após a Semana Santa, que é o primeiro marabaixo do ano. Depois vêm o Sábado e o Domingo do Mastro, quando buscamos os mastros nas matas do Curiaú. Cada momento tem um significado muito importante para a nossa tradição”, explicou.
CULTURA QUE RESISTE AO TEMPO
Mais do que encerrar a programação festiva, a derrubada dos mastros reafirmou a força de uma manifestação cultural centenária que continua viva nas comunidades tradicionais do Amapá. Entre fé, memória e resistência, o Marabaixo segue preservando a história e fortalecendo a identidade cultural do povo amapaense para as futuras gerações.



